Somos 64,8% de todo o funcionalismo municipal de Santos! Somos quase a maioria absoluta que cuida das pessoas dessa cidade, seja nas escolas, creches ou hospitais. A grosso modo, somos essenciais para o serviço público de Santos.

E nas lutas por melhores condições de trabalho também somos linha de frente! É nítido: Nos atos, nas assembleias, nas organizações por local de trabalho, nos grupos de estudo… E a diretoria do Sindserv Santos é um reflexo disso: 6 mulheres entre 11 diretores.

Hoje é um dia pra relembrar todas as lutas que tivemos por melhores condições de vida e igualdade entre gêneros. É dia também de discutirmos nossa realidade atual, bem distante do ideal.

É necessário discutir com nossas colegas de trabalho as dificuldades e transtornos enfrentados no dia-a-dia pelo fato de sermos mulheres. Fazemos jornadas duplas, e até triplas, para receber um salário que dê para se sustentar em Santos. E em casa tem sempre a jornada de trabalho não paga: O serviço doméstico que na maioria dos casos recai somente nas costas do sexo feminino (ou é muito mal distribuído).

O assédio moral e sexual no trabalho também é mais frequente para mulheres do que para homens. Essas formas de dominação precisam ser debatidas e combatidas. Por isso, é preciso conversar sobre esses temas com as colegas de trabalho e não "deixar passar", se sentir inferior, se frustrar, ou guardar pra si. Só com o diálogo franco e aberto podemos avançar nessas questões.

Vamos conversar?
A exploração do nosso trabalho diário enquanto servidoras públicas muitas vezes nos atinge de forma particular. Quer falar sobre esses problemas específicos? Entre em contato: 3228-7400.

Também temos na Baixada Santista um coletivo de mulheres que promove discussões e luta pela igualdade de direitos entre os gêneros: Conheça o Coletivo Feminista Pagu.

Você sabe porque no dia 8 de março se comemora o Dia Internacional da Mulher?
Em 1910, a Segunda Conferência Internacional de Mulheres Socialistas (realizada em Copenhague, Dinamarca) decidiu pela realização de um dia internacional de luta para as mulheres, mas não definiu uma data em específico, cada país ou localidade faria um dia dedicado especialmente à luta das mulheres.

Essa decisão foi inspirada em anos anteriores no qual as americanas já realizavam dias de luta específicos pelo direito ao voto, por mudanças nas leis, pela regulamentação do casamento e do divórcio, pelo direito de frequentar escolas, exercer determinados ofícios e participar de organizações políticas, como partidos e sindicatos.

Em 1917, o 8 de março foi um dia atípico na Rússia (23 de fevereiro no antigo calendário russo). A revolução socialista estava prestes a eclodir, mas os seus dirigentes não queriam precipitá-la. Indiferente a isso, as operárias téxteis de diversas fábricas entraram em greve e as mulheres em geral também foram às ruas contra a fome e a guerra que assolava o país. Esse foi o estopim para a Revolução de Fevereiro, levante inicial que acabou derrubando todo o império czarista.

De lá pra cá, o 8 de março ficou guardado como data simbólica de luta das mulheres. Simbólica, pois todas sabemos que nossa luta é diária!


A versão da fábrica queimada

Uma outra versão sobre as origens do 8 de março é recorrente em diversos países. A história é tão difundida que você já deve ter ouvido em algum lugar: Nesse dia, em 1857 ou 1908, tecelãs de uma fábrica nos EUA teriam entrado em greve, os patrões as trancaram e atiraram fogo. O que teria resultado na morte de centenas das grevistas.

A greve citada realmente ocorreu, mas em 1910. Foi um marco no movimento operário dos EUA, pois foi a primeira greve realizada exclusivamente por mulheres, contra baixos salários e por melhores condições de trabalho. Aconteceu na Triangle Shirtwaist Company, que se localizava no sudeste da cidade de Nova Iorque.

Mas o trágico incêndio nessa mesma fábrica não ocorreu durante a greve. Ele ocorreu um ano depois e resultou em cerca de 146 trabalhadoras carbonizadas. Os donos da Companhia foram julgados, nenhuma condenação, mas a pressão do movimento feminista e dos sindicatos conseguiu alterar drasticamente as leis prevendo condições de trabalho mínimas. Se os patrões tivessem escutado as razões da greve um ano antes, a tragédia seria evitada.

Não podemos esquecer dessa relevante história, esse é um grande marco das lutas não só das mulheres mundialmente, mas de todos os trabalhadores. Porém, essa passagem não corresponde à origem da data de 8 de março.

Quer saber mais?
Por ocasião do centenário da Segunda Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, foi lançado no Brasil em 2010 a tradução do livro da espanhola Ana Isabel Álvarez González que pesquisou a fundo a história do 8 de marco. O livro, "As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres", foi organizado pela SOF (Sempreviva Organização Feminista) e publicado pela Editora Expressão Popular.