Manifestantes se reuniram em frente à Secretaria de Saúde de Santos. — Foto: Solange Freitas/G1

De acordo com manifestantes, Centro de Atenção Psicossocial está em prédio provisório há nove anos. Farmácia e enfermaria foram fechadas por Vigilância Sanitária.

Por G1 Santos

Funcionários e usuários de uma unidade do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Álcool e Drogas fizeram um ato em frente à Secretaria de Saúde de Santos, no litoral de São Paulo, na manhã desta quinta-feira (6). Eles pedem melhorias no prédio que abriga a unidade.

Os funcionários e usuários reclamam que estão há nove anos em um imóvel que seria provisório. “Foi inaugurado provisoriamente e não tem mais condições de atender ninguém porque está totalmente deteriorado”, diz Carlos Solano, de 67 anos, que representa os usuários. Ele diz que os pacientes precisam usar o único banheiro dos funcionários na unidade, que faz de 50 a 100 atendimentos por dia.

Além disso, de acordo com os manifestantes, a enfermaria e a farmácia da unidade de saúde foram fechadas pela Vigilância Sanitária por problemas de manutenção dos locais. “Era tudo mofo. Tudo na área de trás do imóvel foi tomado por mofo. Os consultórios também não tem acústica, não temos privacidade nos atendimentos.”

Usuários da unidade provisória do Caps no bairro Macuco sofre com a falta de estrutura. — Foto: Solange Freitas/G1

Usuários da unidade provisória do Caps no bairro Macuco sofre com a falta de estrutura. — Foto: Solange Freitas/G1

Ednilson Souza, de 43 anos, é atendido há pelo menos quatro anos na unidade e relata as condições do prédio. “É desumano, não tem como continuar ali. Era um improviso de um ou dois anos, mas já estamos indo para dez. Não se resolve nada, tudo acaba em pizza. Começou uma reforma, por conta de nossas lutas, mas furtaram alguns materiais e pararam. Ficamos sem banheiro por isso”, disse.

O usuário reclama, ainda, da falta de segurança do local. “Quando querem acordar moradores de rua, há guardas municipais. Para proteger o que é nosso, para manter o prédio em segurança, não tem. Condições péssimas, bem precário”, reclama.

Forros do teto estão arrebentados em diversas salas da unidade do Caps. — Foto: Solange Freitas/G1

Forros do teto estão arrebentados em diversas salas da unidade do Caps. — Foto: Solange Freitas/G1

A diretora do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santos, Marcia Ester Caldas dos Santos, apoiou o protesto dos funcionários e usuários. “Concordamos que um ambiente provisório é provisório, não definitivo. Falta vontade política, mas queremos resolver essa situação da melhor forma”, diz. “É um desrespeito com os usuários que são atendidos na unidade.”

De acordo com o apurado pelo G1, a unidade provisória fica na Rua Silva Jardim, 354, no bairro Macuco. Dentro da unidade, é possível ver que há problemas no forro do teto de algumas salas, com alguns espaços com se placas e a fiação elétrica exposta, além de diversas janelas quebradas.

Usuários reclamam que salas de atendimento não têm acústica, que falta privacidade nas consultas. — Foto: Solange Freitas/G1

Usuários reclamam que salas de atendimento não têm acústica, que falta privacidade nas consultas. — Foto: Solange Freitas/G1

Prefeitura de Santos

Em nota, a Secretaria de Saúde de Santos (SMS) disse que o Município está reestruturando as unidades da rede de Saúde Mental. Agora, o foco é a melhoria da infraestrutura do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Álcool e Drogas – ZOI (adulto).

O imóvel passa por reforma desde o final de novembro, com intervenções estruturais na farmácia, enfermaria, consultórios e demais espaços de convivência e administrativa. A obra é realizada dentro de ata de registro de preços para a manutenção de equipamentos públicos, no valor de R$ 41 mil, e a previsão de conclusão é para fevereiro.

Após a conclusão, será retomada a dispensação de medicamentos na unidade, atualmente realizada em unidade próxima (CAPS Centro). A pasta está em processo de locação de novo imóvel, na mesma região do CAPS AD, para a transferência do serviço no primeiro semestre deste ano. O contrato de locação atual é renovado anualmente, com vigência prevista até 28 de agosto, podendo ser rescindido a qualquer momento sem prejuízo aos cofres públicos.

O andamento destas ações já foi compartilhado com os servidores e usuários da unidade em assembleias e reuniões realizadas no próprio CAPS AD e na sede da Secretaria de Saúde, e será tema de reunião nesta quinta (06) com o titular da pasta, Fábio Ferraz.