Escola Pedro Crescenti teria sido higienizada após o episódio. Foto: REPRODUÇÃO

Segundo a Diretoria do Sindserv, não foi por falta de aviso, pois a entidade e a categoria não foram ouvidos e a Secretaria de Educação teria prosseguido com a distribuição de material escolar para cerca de 29 mil famílias de alunos

Por Carlos Ratton (Diário do Litoral)

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santos (Sindserv) está denunciando que após trabalhar nos dois primeiros dias de distribuição de material escolar na Zona Noroeste, que abriga praticamente metade da população santista, uma professora da Unidade Municipal de Ensino (UME) Pedro Crescenti testou positivo para coronavírus. A denúncia alerta ainda que o Governo já reagendou a continuação da entrega para a próxima segunda-feira (8).

A diretora tesoureira Teresa Christina Borges de Campos revela que a descoberta ocorreu por intermédio de pais de alunos e servidores municipais. O teste da professora foi revelado no último sábado.

“Teve pessoas na escola que se submeteram, por conta própria, ao exame na segunda-feira (1°), pois sequer foram orientadas que é preciso aguardar no mínimo três dias para que o exame seja seguro. Só na terça-feira é que os funcionários foram orientados a fazer exame, mesmo assim, sem dizer onde fazer”, aponta a diretora, acreditando que os testes deveriam ser feitos em todos os servidores sistematicamente, para evitar contágio de familiares e munícipes.

Segundo a Diretoria do Sindserv, não foi por falta de aviso, pois a entidade e a categoria não foram ouvidos e a Secretaria de Educação teria prosseguido com a distribuição de material escolar para cerca de 29 mil famílias de alunos.

“Essa atividade, que aconteceu no meio da quarentena decretada pelo próprio governo (dias 28 e 29 de maio e 01 de junho), não era essencial nesse momento que é o auge da pandemia na região”, explica nota do Sindserv, que acredita que o Governo Municipal colocou não só os servidores em risco, mas toda a população.

SEGUNDA

O Sindserv alerta que se a continuação da entrega for efetuada na próxima segunda-feira, “os outros servidores que tiveram contato com a servidora contagiada não ficaram 14 dias de quarentena conforme recomenda todos os protocolos de saúde em relação ao coronavírus. E ainda vão entrar em contato com dezenas de famílias”.

O Sindserv quer, agora, que a Prefeitura comunique todos os pais de alunos que foram na unidade escolar receber o material; que dê todas as orientações necessárias para a comunidade escolar; que feche a UME para desinfecção; que faça testes semanais em todos os servidores da escola e em todos os munícipes que foram na unidade pegar o material e, por fim, que registre a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) para todos os servidores da unidade que testarem positivo para Covid-19.

DIÁLOGO

O Sindiserv afirma que falta diálogo entre Prefeitura e servidores via Sindicato. “Sabemos que planejar e executar políticas públicas não são tarefas fáceis, principalmente durante essa pandemia. Porém, muitas decisões equivocadas poderiam ser evitadas se houvesse um maior diálogo com o sindicato e os servidores que vão executar essas políticas”, finaliza o Sindserv.

PREFEITURA

A Seduc diz que a UME seguiu todas as medidas de segurança durante a entrega do material didático, com a utilização de luvas, máscaras e álcool 70%. Informa ainda que a direção só tomou ciência de que a funcionária testou positivo para Covid-19 após a entrega e, imediatamente, foram tomadas todas as providências.

A escola passou por higienização e se manteve fechada toda a semana. Pais e responsáveis, diz a Prefeitura, foram comunicados do fechamento e os funcionários que estavam no local foram dispensados para ficarem em casa e orientados a fazer a testagem.

“A continuação da distribuição dos materiais está agendada para segunda (8) e terça-feira (9), com a colaboração de outros funcionários. A Seduc está alinhada e segue as orientações da Secretaria de Saúde, sempre com o objetivo de preservar vidas”, fecha a nota oficial.